Do Medo de Escuro

O pôr do sol queda-se ao longe
Anunciando a noite desvelada
Os dedos finos, que dela se escondem
Dançam em novo verso de madrugada

Rápidos,  como se passam
As batidas dos nossos corações
Também os dias, uns após os outros
Afinam, nos destinos, novas canções

E tudo, mesmo desconexo, se arranja
Como que em teia, confuso e misturado
As ideias, também como os são
Hão de recolher da ordem um punhado

E da elucidação, que seja crédula
Para que a próxima noite que sobrevém
Faça sentido, e o canto da sereia
Não seja o assombro de ninguém.

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Rosa do Deserto

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Quando a última gota de vinho foi saboreada, às vinte e três horas e quarenta e dois minutos, a campainha tocou repentinamente.
O som alto quebrou o silencio angustiante que naquela hora imperava, e a alma do rapaz sentado com os olhos fitados no horizonte avistando a janela, quase saltou de susto.

Não era costume a visita de alguém naquele horário. Assim, Augusto não fazia a menor noção de quem poderia lhe incomodar naquele momento, já exausto pelo fim do dia, após intenso trabalho.

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