Inquietude

Essa embriagada sensação de inquietude
Balbucia em meu leito tantas coisas
Tal pássaro aflito que precisa ir pra casa
Voando livre pela natureza.

Mas não contou, a mim, nenhuma certeza
Lutando contra meu coração brando
Aprendi a ter algumas mágoas
E a olhar, entristecida, o passado

Que ecoa uma sonoridade profunda
De saudosismo singelo e arteiro
Quantos dragões destruíram as forças
Que guardei comigo o ano inteiro.

Vejo que pouca coisa se mantém
Quando o futuro ardil subsiste,
A insegurança afeta nosso humor,
Tudo assim confuso e o mundo triste…

Que não me ensinou a arrefecer
Nem me mostrou como ter sorte
E mesmo com a inevitável morte
Talvez ainda um dia hei de viver…

…Sentindo, pela penumbra da noite
Todos nossos beijos famintos e esnobes
Quando o tempo terá em si o bastante
Para sermos quem realmente somos (fortes).

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Do Medo de Escuro

O pôr do sol queda-se ao longe
Anunciando a noite desvelada
Os dedos finos, que dela se escondem
Dançam em novo verso de madrugada

Rápidos,  como se passam
As batidas dos nossos corações
Também os dias, uns após os outros
Afinam, nos destinos, novas canções

E tudo, mesmo desconexo, se arranja
Como que em teia, confuso e misturado
As ideias, também como os são
Hão de recolher da ordem um punhado

E da elucidação, que seja crédula
Para que a próxima noite que sobrevém
Faça sentido, e o canto da sereia
Não seja o assombro de ninguém.

Chuva de Fim de Tarde

A vida descortina sua alegria mais profana
E estende seu sorriso, que brilha pelo asfalto moderno
Na tarde que soluça pingos de chuva ao longe
Nossos olhos a veem como um presente singelo

Pelas ruas que se esbaldam de calor
E de perigo tão presente como fantasmas
Lança-se a chuva, escaldada e com pressa
Cuja sombra torta ainda atravessa
Um sonho inocente de amor

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