Do Medo de Escuro

O pôr do sol queda-se ao longe
Anunciando a noite desvelada
Os dedos finos, que dela se escondem
Dançam em novo verso de madrugada

Rápidos,  como se passam
As batidas dos nossos corações
Também os dias, uns após os outros
Afinam, nos destinos, novas canções

E tudo, mesmo desconexo, se arranja
Como que em teia, confuso e misturado
As ideias, também como os são
Hão de recolher da ordem um punhado

E da elucidação, que seja crédula
Para que a próxima noite que sobrevém
Faça sentido, e o canto da sereia
Não seja o assombro de ninguém.

Chuva de Fim de Tarde

A vida descortina sua alegria mais profana
E estende seu sorriso, que brilha pelo asfalto moderno
Na tarde que soluça pingos de chuva ao longe
Nossos olhos a veem como um presente singelo

Pelas ruas que se esbaldam de calor
E de perigo tão presente como fantasmas
Lança-se a chuva, escaldada e com pressa
Cuja sombra torta ainda atravessa
Um sonho inocente de amor

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