Dos Desejos e Realidade

existir

O que eu faço para ser feliz
No lugar onde eu quiser
Cortando o cabelo ou com ele comprido
E me ser permitido
A aurora boreal conhecer?

O que brota do amanhecer
Ainda é um brilho encardido
Mas eu quero ser o cupido
Da nova era, para transparecer
Nessa vida, algo bem explêndido
Rosnando de tanta inquietude,
Parturiente, inflado, amiúde
Soprando aquele inverno translúcido
Que a lua exala ao aparecer.

Pode um dia se saber
Que eu desejei ter tudo
Porém, o que não me consola
É o temor de perder os sonhos
Que são meu mundo.

Porque a liberdade existe bem aí,
Onde se permite:
“No vagar das horas que alguém nos tirar,
Façamos delas nosso alpiste”.

 

Niilismo

niilimos

Às vezes a alma se recolhe
Como que minúscula e curvada sobre si
Empobrecida das novas morais
Adormecida, a certo ponto, do existir.

Conquanto as leis não lhe perturbem
O vácuo atravessado do futuro sobrevém
Mas, pra que antever o nada
Se a jornada, por ela, não se mantém?

O ponto cego do destino
Ilustre, sonâmbulo, ilusório…
Satisfaz os nobres esperançosos.

Mas o niilista compulsório
Incrédulo de cada passo e caminho
Infecta, d’a alma todos os sonhos.