Dos Sentimentos que Vêm e(m) Vão

flor

Quem me destinou esta tristeza,
Áspera e amarga,
Que impacta minha garganta?
Quem a deixou passar pela porta da minha jovem idade?

Qual dos meus “eus” fracassou
E em que ponto?
Não era astúcia o que eu via e desejava?
Não era, por ventura,
Um verde vivo, um lago
E pássaros assobiando
O que em minha volta existia?

Por que o pássaro agora está enjaulado?
Por que não vê a luz do sol?
Por que suas marcas de cansaço aparecem
E as lágrimas não esgotam a fonte?

Era também ternura e felicidade o que encantava
Enquanto ainda se acreditava no mundo colorido.

Mas é que as coisas foram mudando…
As estações perderam o sentido…
As novéis conquistas férteis
Possuem efeito tão efêmero.

E o sentimento?
E a acreditação?
A força…onde estão?

O que ora se busca,
Outrora esteve tão perto.

Ou talvez não…

Era apenas uma inocência em vão
Carregada de ilusão.

Ainda assim, era feliz.

 

O Que nós Temos

A vida escorreita faz certas manobras
No espaço e tempo
Em laços famintos
De relacionamentos

Faz aqueles momentos
Que ensejam lágrimas de felicidade
E elas se derramam mais ainda
Quando nos damos conta
De que o que queríamos de verdade
Era que o tempo parasse ali…
Ou que se repetisse conforme a vontade…
Porém, somos impulsionados:
Adiante, sempre!
Pra frente!

Eis que tenho medo do tempo
E de toda a sua grandiosa liberdade.
Porque o tempo é o deus mais cruel que existe
É tão grande a sua maldade
Que ele não se curva
Não sente piedade de quem quer que seja.

Talvez seja por isso o mais justo
Porque não discrimina
Mas também não avisa pra ter coragem
Somente acontece.
E quem não se adapta, padece…
Em uma fina camada de ferrugem.

Em Tom de Ironia Convulsa

À espera da estrela cadente
Na espreita derradeira do amor ardente
Em primeira destreza que um rumor sente
Com a luz da ribeira estonteante

Como que breve, o fulgor cintilante
Brutalmente assassina a roseira
Do “quebrante” ao louvor de primeira
Em escorreito lumiar escaldante

O humor protagoniza a maneira
Do abraço apertado que ele sente
Ou é puríssimo o artesanato de madeira
Ou é certo que em algum ponto ele mente

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Sobre Desejos e Amor

Esse texto longo
Que formam teus cabelos
São doces poesias sobre mim
É pura ternura. Perfumada.
Que se espalha e acaricia.
Deliciosa alegria
Do existir.

Esses lábios
Ora descoloridos
Ora avermelhados
Se confundem com os meus
Ás vezes contornam meu momento
De beijos e devaneios
Que se tracejam em outra dimensão
Do sentir.

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Destino que Destoa

Estes propósitos destoantes
Dos outros que outrora compus
Quais se acertam, por ventura?
Quais sucumbem a minha luz?

Estes e outros mais
Impregnam as minhas ideias
Quando penso que estou em paz
Tomo outros rumos e maneiras.

Sob a égide graciosa da lua,
Procuro apenas meu caminho
– Mais para o bosque, continua…

Indo e vindo o canarinho
E logo à esquerda do lago
Vejo, tranquilo, meu destino.