Do Medo de Escuro

O pôr do sol queda-se ao longe
Anunciando a noite desvelada
Os dedos finos, que dela se escondem
Dançam em novo verso de madrugada

Rápidos,  como se passam
As batidas dos nossos corações
Também os dias, uns após os outros
Afinam, nos destinos, novas canções

E tudo, mesmo desconexo, se arranja
Como que em teia, confuso e misturado
As ideias, também como os são
Hão de recolher da ordem um punhado

E da elucidação, que seja crédula
Para que a próxima noite que sobrevém
Faça sentido, e o canto da sereia
Não seja o assombro de ninguém.

Pesadelos

 

pesadelo

Passando pela vértebra o frio atônito,
Que o medo da solidão lhe sopra,
E um rompante gosto de fel e sangue
Numa imagem que jamais se cumpra.

Era pesadelo inscrito em suor,
Agonia latente em cada pálpebra.
A cama, com pregos afiados
E a casa toda em penumbra.

A cena de terror me fez pulsar
O coração pouco acostumado a emoções
Mas quando o paralisado corpo desperta…

Só nota a presença dos trovões
Infiltrando-se em minha alma, deserta…
…Incrédula, ao nada, a vagar.

Dessa Era Estranha e Crua

fios

Meu povo é tão distante
E o vazio continua latente
Talvez o que a gente sente
Seja mesmo tão diferente.

A graça da vida às vezes esmaece.
Procuro o fino brilhante
Sobre o qual ouvi cantarem
Mas, o amor perdeu seu rebanho
Cedendo a algum tipo de chantagem
Dessa era de tecnologia esquizofrênica
Que deixa esses meninos tão sozinhos:
Eles procuram nas coisas artificiais
A simulação perfeita de sonhos
Que me parecem tão banais.

Meu povo permanece tão distante
E o vazio reside aqui, latente
Talvez o que a gente sente
Seja cada vez mais diferente.

Mas não difere assim nosso temor
Quando a noite subsiste
Encarando a vida triste
No retorno do labor…

E nosso filho ainda não chegou
Da rua perigosa e escura
Assim como pulsa o sangue morno
Também pulsa o olhar materno aflito

-Libera esse nosso grito
Aqui, preso na garganta
Porque todo pássaro que canta
É sinônimo de liberdade
Ainda que da brevidade
Lhe seja tão prisioneiro

Sim, meu povo está cada vez mais distante
Mais enlaçado em virtuais correntes
Mas, no fundo, sinto que a gente
Não é assim tão diferente.

Em Tom de Ironia Convulsa

À espera da estrela cadente
Na espreita derradeira do amor ardente
Em primeira destreza que um rumor sente
Com a luz da ribeira estonteante

Como que breve, o fulgor cintilante
Brutalmente assassina a roseira
Do “quebrante” ao louvor de primeira
Em escorreito lumiar escaldante

O humor protagoniza a maneira
Do abraço apertado que ele sente
Ou é puríssimo o artesanato de madeira
Ou é certo que em algum ponto ele mente

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Sobre Desejos e Amor

Esse texto longo
Que formam teus cabelos
São doces poesias sobre mim
É pura ternura. Perfumada.
Que se espalha e acaricia.
Deliciosa alegria
Do existir.

Esses lábios
Ora descoloridos
Ora avermelhados
Se confundem com os meus
Ás vezes contornam meu momento
De beijos e devaneios
Que se tracejam em outra dimensão
Do sentir.

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