Dias de Inverno

Havia uma prosa áspera saindo da garganta
Naqueles dias de chuva
Nos quais era fácil se desesperar.
Era também quando a velha nostalgia embargava
Os sulcos da alma
E me fazia chorar.

Eu sucumbia nos dias de inverno.
Meu coração procurava se aquecer
Do vento cruel que lá fora circulava
E da vida, também pálida e sem fé.

Se não fossem teus belos cabelos
Entre a gelada névoa, ao luar
A quem meu semblante iria esboçar
Algum tipo de alegria?
Ou se contorcer
Para a gélida emoção superar?

Aqueles dias cinzentos
Me escorregariam para uma vida fortuita
Paralisando meus pulsos
Numa inércia mal humorada e retorcida.
Mas teu perfume me veio amparar.

E foi na fluidez de teu emergir
Que eu soube fazer
A primavera, em minha vida
Acontecer.

Nunca mais houve inverno,
Gélidos momentos
Ou espasmos de ternura inerte
Entre meus sentimentos

E apenas eu sei
Que haja o que houver
Tua presença me mantém
Quente, como ela (mesma) é!

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