À Deriva

rua deserta

Sustentada por força desconhecida,
Passei por ruas desertas, mar nervoso e rio sem movimento

Não aprendi a contar os dias ou reconhecer vidas
O vazio refletia minha alma
Nua, lânguida, translúcida e fria

Num momento atemporal despertei de um sonho
Ou seria devaneio?
Com lufadas e urros ganhei casca, pulmões, pele e coração
E com ele surgiram sensações
Prelúdio de sentimentos

Permiti-me mais uma vez ser arrastada pelo vento
Embaixo de nuvens, provei da chuva
Que caía em gotas gélidas
Por fim, tocaram minh’alma
Que despertou em cor

Ainda sem propósito
Aninhada em folhas velhas
Ergui uma mão amorfa
Gradualmente tomando aspecto nítido

Solitária, descobri seu par
E a Lua surgiu no alto
Tocando com sua luz prateada
O vulto de meu ser

Dor, fome, frio
Uma angústia despertou
Afogando-me nos primeiros pensamentos
Na vontade prima da busca instintiva
Pelo amor.

Por Valéria Noronha.

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2 comentários sobre “À Deriva

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